2009 – O Ano do Clima

Começamos com o navio “Arctic Sunrise” percorrendo a costa brasileira. Milhares de visitas e petições, dezenas de eventos, várias ações.

A 100 dias de Copenhague instalamos relógios que fazem a contagem resgressiva para Copenhague e fizemos um barulhaço em várias cidades, para acordar nossos líderes. A contagem está acabando.

Começamos a visitar escolas, levar informação para quem mais precisa.

Espalhamos os pedaços do banner gigante para que as pessoas pudessem mandar suas mensagens.

Fizemos uma semana de mobilização em oito capitais. Vacas, multas, energia solar, limpeza de praia, barulhaço, vagas vivas. Falamos com milhares de pessoas. Mais milhares de petições.

Repaginamos o site, para facilitar o acesso e melhorar a qualidade da informação, ferramenta fundamental de qualquer campanha.

Entramos em duas festas do Presidente Lula. Em Paris, quando ganhou um prêmio da Unesco, e em Brasília, quando inaugurou o Pré-Sal. Era necessário que ele prestasse mais atenção às mudanças do clima.

Criamos o “mães pelo clima”, para engajar e dar voz a pessoas que realmente se preocupam com o futuro do planeta. Mães, pais, tios, avós, famílias.

Fomos ao CCBB no dia em que o presidente chamou os ministros para começar a construir a posição brasileira. Estavamos lá com vacas, homem solar, tubarão e o nosso Lula, de malas prontas para Copenhague.

Recebemos o Lula em Estocolmo e Londres, para lembrá-lo mais uma vez das importância do Brasil na conferência do clima e pedir para que se comprometesse a ir para Copenhague.

Fizemos uma semana de alimentação pelo clima, lembrando as pessoas que o que elas comem pode ajudar a salvar o planeta.

Entregamos as milhares de petições que recolhemos ao longo do ano com nossas demandas de desmatamento zero, energias renováveis e áreas marinhas protegidas para o pessoal do Itamaraty, que é quem representa o país nas negociações internacionais.

Paramos a votação do desmantelamento do Código Florestal.

Espalhamos orelhões para que a população pudesse ligar para o Lula ou para a Embaixada Americana e deixar claras suas demandas sobre as mudanças de clima.

No dia de uma reunião de líderes da Amazônia, colocamos uma faixa no teatro amazonas, lembrando o Lula, Obama e Sarcozy que podem entrar para a história ao salvar o clima.

Em Portugal, cobramos a discussão sobre clima no Fórum Iberoamericano de presidentes.

Abrimos o maior banner ambiental do mundo em frente ao congresso brasileiro. 9.100 metros quadrados repletos com mais de 6000 assinaturas e pedidos de brasileiros engajados com o tema, além de uma mensagem clara para o presidente: “Lula, você pode fazer mais pelo clima”.

Tudo isso feito ao mesmo tempo em que analisamos toneladas e toneladas de textos e propostas políticas, participamos de dezenas de reuniões nacionais e internacionais, redigímos e buscamos apoio para diversas políticas nacionais e internacionais, preparamos estudos e relatórios, conversamos com o setor privado, discutimos posições conjuntas com a sociedade civíl e academia, atendemos a mídia, blogamos, twitamos, fizemos fotos, vídeos.

Tudo isso resultou em várias vitórias. O Brasil tem uma meta e ela esta inserida na também nova política nacional de clima. O Lula não só virá para Copenhague, como cobrou isso dos outros líderes. A discussão de clima ultrapassou a barreira ambiental e acadêmica. Agora todos os setores falam de clima. Milhares de estudantes aprenderam um pouco mais, assim como milhares de pessoas com quem conversamos ao longo do ano.

Tudo isso pode melhorar, mas estamos no caminho certo.

Agora chegamos em Copenhague. Mais um monte de coisas a fazer.

Falo por todo o time do Greenpeace Brasil que está aqui - ativistas, voluntários, comms, campaigners e diretores, que é uma honra descomunál poder representar a todos que neste ano fizeram parte disso tudo.

A você que trabalhou no escritório, na rua, no congresso, se pendurou, assinou a petição, o banner, assistiu as palestras, nos ouviu, leu, ligou, perguntou, muito obrigado. A você colaborador que torna tudo isso possível, voluntário que faz acontecer, pedestre e motorista que da um pouquinho do seu tempo para nós, muito obrigado. Vocês são a base da nossa força.

Temos 2 semanas para conseguir a maior vitória de todas. Um acordo ambicioso, justo e efetivo em Copenhague. Posso assegurar-lhes que o Greenpeace trabalhará incessantemente de Copenhague, São Paulo, Manaus e todos os nossos escritórios  para conseguir isso.

Ajude-nos a continuar nessa luta.

 

João Talocchi – Coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace brasil

Os brasileiros mostram que se preocupam com as mudanças do clima

 

Em pesquisa feita pelo Pew Research Center, que ouviu 26 mil pessoas em 25 países – 800 delas no Brasil – mostra que os brasileiros são os mais preocupados com as mudanças climáticas e que, nova entre dez brasileiros mudariamhábitos para proteger o clima.

A pesquisa teve como objetivo medir a atitude de cidadãos em diversas partes do mundo em relação ao aquecimento global. Mais da metade da população da Argentina, França, Coréia do Sul, Índia, Turquia, Japão e México acreditam que o aquecimento global é um problema muito sério.

E no fim da lista estão os americanos e chineses, responsáveis pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa que causam o aquecimento global.

A população de 23 dos 25 países pesquisados acredita que o governo e a sociedade devem fazer mais pelo planeta, mesmo que isso cause desemprego e perdas econômicas.

Os chineses surpreenderam mostrando que 88% da população se mostrou disposta a pagar mais pela energia se o objetivo fosse combater o aquecimento global. Outros 82% afirmaram que vale a pena abrir mão do crescimento ecômico para proteger o meio ambiente.

Entre os brasileiros, 79% concordaram em reduzir cresicmento e emprego, mas muto menos (48%) concordariam em pagar preços mais altos pela energia.

Obs: Crescimento ecônomico pode e deve ser aliado da preservação do planeta, um não anula o outro.

Greenpeace estende banner gigante em Brasília

O maior banner dos 38 anos da organização foi aberto hoje pela manhã, por 34 ativistas, sendo dois de Manaus.

O banner que mede 9 mil metros quadrados e pesa 1,5 tonelada é composto de 130 pedaços e fez parte das várias atividades de mobilização pública realizadas no segundo semestre.

Foram mais de 6 mil assinaturas coletadas em Manaus, Recife, Salvador, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, cada uma mandando uma mensagem direta ao presidente, exigindo maior comprometimento com o clima do planeta e o futuro dessa e das próximas gerações.

0933592

"O governo deu um passo importante estabelecendo metas para levar para Copenhague, mas o presidente pode fazer muito mais", diz Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace.

"No Brasil, Lula tem condições de ampliar a proteção às florestas e aos oceanos. Em Copenhague, esperamos que ele trabalhe com afinco por um acordo global que ajude a afastar o perigo do aquecimento global."

Confira mais fotos na galeria do Greenpeace Brasil.

5 razões para ser otimista com o clima




Faltando 5 dias para a COP-15, o texto de Alexandre Mansur e Marcela Buscato mostram porque ainda vale ter esperanças.


    Salvar o mundo ou decepcionar o mundo. Essas parecem ser as únicas alternativas para a conferência do clima de dezembro, em Copenhague. O encontro, o mais aguardado da década para combater as mudanças climáticas, pode produzir um tratado abrangente para controlar o aquecimento global ou apenas entregar uma declaração política que encaminhe a negociação para o ano que vem. Qualquer que seja o resultado, as expectativas são exageradas: o futuro do planeta não depende exclusivamente do que sairá da conferência.


  Nos últimos dias, os preparativos para a conferência assumiram a forma de uma nuvem especulativa em torno de declarações dos chefes de Estado das nações mais poluentes – e decisivas – do mundo. Primeiro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou que não havia mais tempo hábil para negociar um tratado definitivo antes do evento em Copenhague, batizado de COP15. Poucos dias depois, em uma nota conjunta com o presidente Hu Jintao, da China, anunciou que os dois países poderiam apresentar metas na conferência, dando novo ânimo para os que ainda acreditam que um pacto final seja possível antes do fim do ano.


   Os avisos de que Copenhague pode não resultar em um tratado definitivo são uma forma de desarmar as expectativas. “É uma estratégia para não gerar uma imagem de fracasso ao final da conferência e preservar o processo de negociação, que vai continuar de qualquer forma”, diz Marcus Frank, especialista em mudanças climáticas da consultoria McKinsey no Brasil. Ainda há tempo antes do fim de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto. Os negociadores trabalham com a possibilidade de um encontro no meio do ano que vem para acelerar o processo.  Mesmo se Copenhague for apenas um ponto no lento e angustiante processo de negociação internacional, há bons motivos para acreditar que o mundo continuará caminhando para uma economia com menores emissões, capaz de evitar as piores consequências de um colapso do clima. A seguir, as cinco principais razões.


1. As energias renováveis fazem sentido econômico
  O investimento em fontes de energia renováveis se justifica por segurança, para reduzir a dependência dos países em relação ao petróleo e porque elas competem em preço. Em alguns lugares, a energia eólica já é mais barata que o gás natural. Por coincidência, essas fontes também reduzem a emissão de gases de efeito estufa. “Ninguém vai parar de investir em energias limpas”, diz Frank. “Com o reaquecimento econômico, o preço do barril deverá voltar a subir, premiando quem buscou alternativas. Além disso, a energia dos ventos gera de três a cinco vezes mais empregos do que a energia fóssil.”


2. A eficiência energética dá lucro
O movimento por eficiência energética está se acelerando e gerando dividendos financeiros. O melhor exemplo está nos Estados Unidos. “A Califórnia virou líder global em eficiência energética e redução nas emissões”, diz Noel Perry, investidor que se concentra em tecnologias inovadoras. “E isso nos ajudou a virar uma das maiores economias do mundo. Com um Produto Interno Bruto de US$ 1,8 trilhão, se fosse um país, a Califórnia seria a oitava economia do mundo, à frente do Brasil. Desde a crise do petróleo dos anos 70, a Califórnia criou leis de eficiência para construções, aparelhos domésticos e até aquecimento de piscina. Graças a isso, estima-se que economize, por ano, US$ 25 bilhões na conta de energia. Hoje, seu consumo per capita de energia é metade dos demais Estados americanos. A taxa de emissão de carbono também. Por seu peso econômico, e por sediar algumas das empresas mais inovadoras do mundo, como a Apple, o Google e a Hewlett-Packard, a eficiência californiana tende a influenciar o planeta.


3. Os consumidores estão cobrando
A necessidade de as empresas ganharem mercado é outro motivo para acreditar que, com ou sem acordo em Copenhague, a economia seguirá em direção a um modelo de menor emissão de carbono. Uma pesquisa da consultoria americana Delloite com 6 mil consumidores mostrou que 54% deles já levam em consideração os critérios ambientais na hora de escolher uma marca. Essa taxa só deve aumentar. “Há um tom de ouro no verde”, diz a conclusão da pesquisa. Dos clientes entrevistados, 95% afirmam que estão dispostos a comprar marcas que invistam em sustentabilidade, 63% dizem procurar por esses produtos, mas pouco mais de 20% acabam de fato comprando.


4. Os investidores preferem cortar emissões agora
As resseguradoras, espécie de seguradoras das seguradoras, são outras grandes interessadas em pressionar as empresas para diminuir suas emissões e evitar os piores impactos do aquecimento global. Elas já fizeram as contas de quanto custará ao mundo adiar a transição para uma economia de baixo carbono. Um estudo divulgado em setembro pela Swiss Re, a maior empresa de resseguros do mundo, diz que em 2030 os efeitos do aquecimento global custarão 19% da riqueza de cada país. Mas, se as empresas começarem a cortar suas emissões já, é possível evitar até 68% dessas perdas.


5. Leis locais estão exigindo a redução das emissões
Mesmo sem um acordo global, governos nacionais, estaduais e municipais já estão limitando as emissões. O Reino Unido tem a lei mais ambiciosa, que obriga o país a cortar 80% das emissões até 2050. Nos EUA, 25 dos 50 Estados já adotaram algum limite legal para as emissões. No Brasil, São Paulo anunciou um corte de 20% nas emissões até 2020, embora não tenha definido como fará isso. “Não há nenhum plano definitivo elaborado por um comitê central”, diz Oswaldo Lucon, assessor técnico da Secretaria de Meio Ambiente. “Vamos estudar agora com as outras secretarias e com as empresas do Estado como chegar a essa meta.”


Confira aqui o texto completo.






Queimadas e poluição provocam chuva ácida em Manaus

Uma chuva ácida provoca pela fumaça das queimadas foi registrada na parte da manhã e no início da tarde de quinta-feira (26) em Manaus.

Há meses a região central da Amazônia enfrenta intensificação das queimadas por causa do clima seco. Desde julho, vem ocorrendo uma estiagem atípica com chuvas abaixo da média, fazendo com que a névoa de fumaça que de tempos em tempos cobre Manaus, não se dissipe.


"O maior contribuinte são as queimadas. Depois, as termelétricas, os veículos e, por último, as indústrias", diz a meteorologista Lúcia Gularte, do Instituto Nacional de Meteorologia.

O Protesto Perfeito

O presidente Lula discutirá hoje em Manaus, com os líderes da bacia amazônica (mais o presidente francês Nicholas Sarkozy, representando a Guiana Francesa), uma proposta conjunta para a COP, no final do ano. Mas nossos ativistas não esperaram a reunião começar para pedir que os líderes mundiais façam história.


Hoje o Teatro Amazonas acordou diferente, nossos ativistas estenderam um banner com a mensagem:"Lula, Sarkozy e Obama: Façam História, Salvem o Clima".





Não é hora de os líderes mundiais se esconderem atrás de declarações meramente políticas. Para fazer história, eles devem construir uma posição ambiciosa para Copenhague. Alguns países em desenvolvimento estão dispostos a negociar um acordo legalmente vinculante, justo e efetivo no controle do aquecimento global, mas falta liderança dos países industrializados como EUA e UE ”, diz Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.



Na reunião de hoje, os líderes dos países da bacia Amazônica precisam concordar em reduzir drasticamente as emissões de gases estufa. Zerar o desmatamento nas florestas tropicais é uma das maneiras mais eficientes e baratas para combater o aquecimento global. Um mecanismo de redução das emissões pelo desmatamento e degradação (REDD) que valorize a sobrevivência da floresta, priorizando áreas ricas em biodiversidade e os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais, deve ser um dos pilares do acordo de Copenhague.

O desmatamento das florestas tropicais contribui com 20% das emissões globais de gases do efeito estufa. Apesar de ter caído em anos recentes, a destruição da Amazônia responde por 52% das emissões nacionais, colocando a Brasil na posição de 4º maior emissor de gases estufa – o que aumenta a responsabilidade do país para com o futuro do planeta. Além disso, cientistas prevêem que o aquecimento global pode transformar até 40% da Amazônia em savana e colocar em risco seu papel como importante regulador climático e a existência de milhões de espécies.


Foto: Greenpeace/ Rodrigo Baleia

O Greenpeace nas Escolas



Há um bom tempo, o grupo de voluntários de Manaus vem atuando também nas escolas, fazendo palestras e outras atividades, engajando os estudantes a se tornarem responsáveis pelo meio ambiente.

Desde agosto desse ano desenvolvemos uma série de atividades no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora e na Escola Estadual Djalma Batista.

Queremos agradecer pelo apoio da coordenação pedagógica e dos professores das duas escolas e, principalmente, pelo carinho recebido dos alunos, tornando tudo muito mais especial.

Esperamos que no próximo ano essa parceria continue firme, para podermos garantir que essas gerações comecem  a cuidar desde já de seu futuro.

Confira mais fotos na nossa galeria do Picasa.